• Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos
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       Serviço Geológico do Paraná

    Ações

    Rochas carbonáticas - calcários

     
    Rochas carbonatadas ou calcários são rochas constituídas por calcita (carbonato de cálcio) e/ou dolomita (carbonato de cálcio e magnésio). Podem ainda conter impurezas como matéria orgânica, silicatos, fosfatos, sulfetos, sulfatos, óxidos e outros.

    O termo “calcário” é empregado para caracterizar um grupo de rochas com mais de 50% de carbonatos.
     
    Classificação
     
    A mais utilizada foi estabelecida por Pettijohn, relacionada com a porcentagem de óxido de magnésio, MgO, contido na rocha.

     

     
    Classificação das rochas calcárias
     
    Denominação
    % de MgO
    calcário
    0 a 1,1
    calcário magnesiano
    1,1 a 2,1
    calcário dolomítico
    2,1 a 10,8
    dolomito calcítico
    10,8 a 19,5
    dolomito
    19,5 a 21,7

     

     
    Usos e aplicações
     
    O emprego das rochas calcárias depende da composição química e/ou características físicas.
     
    Calcários para a indústria de cimento - cimentos hidráulicos
     
    A denominação cimento hidráulico se refere à capacidade de endurecimento pela ação da água sem intervenção do ar.

    O tipo de cimento mais importante e de maior aplicação é o cimento “Portland”. As matérias-primas para a sua fabricação são o calcário, a argila e a gipsita. O calcário fornece o óxido de cálcio, a argila fornece sílica, óxido de alumínio e óxido de ferro. A gipsita é adicionada ao clínquer (calcário+argila), para regular o tempo de endurecimento da mistura após a adição de água.
     
    Calcários para a indústria da cal - cimentos não-hidráulicos
     
    A cal é o resultado da calcinação de rochas calcárias quando aquecidas em fornos a temperaturas superiores a 725ºC. A qualidade comercial de uma cal depende sobretudo das propriedades químicas do calcário e da qualidade da queima.

    Basicamente compreendem quatro tipos, definidos pela sua composição:
    • cales de calcários puros (cales calcíticas)
    • cales dolomíticas ou magnesianas
    • cales silicosas
    • cales argilosas

    As cales são constituídas basicamente de óxidos de cálcio ou de uma mistura de óxidos de cálcio e magnésio e podem ser apresentadas sob a forma de pedras ou moídas e ensacadas, recebendo a denominação de cal virgem ou cal viva.

    A adição de água à cal virgem provoca a formação de hidróxido de cálcio e de outros compostos, dependendo da composição da cal, recebendo então a denominação de cal hidratada.

    Têm seu maior emprego na construção civil como aglomerante, dando-se preferência às cales magnesianas ou dolomíticas. As cales cálcicas destinam-se preferencialmente às indústrias químicas.

     

     
    Principais usos das cales

     

    construção civil
    siderurgia
    metalurgia
    indústria química
    indústria de produtos alimentícios
    indústria petrolífera
    indústria cerâmica
    saneamento
    indústria do papel
    indústria do vidro
    tintas e vernizes
    explosivos
    plásticos
    perfumaria
     

     

    Calcários aplicados “in natura”
     
    blocos ornamentais: estatuária, revestimentos de interiores e exteriores, arte fúnebre, lajes, etc.

    britado: usado na preparação de argamassas e agregados, em pavimentos rodoviários, lastros de ferrovias, pedras para enrocamento, pedriscos para cobertura, alvenaria e pedras para áreas rurais. Quando a brita apresenta um bom aspecto, possibilitando o polimento, é utilizada na confecção de blocos ornamentais (pedras para terraços, tampos de mesa, pias e banheiros), em mistura com cimento branco, constituindo as pedras chamadas “marmorites”.

    moído: utilizado principalmente como corretivo de solo para a agricultura. Para a utilização e comercialização as especificações legais exigidas estabelecem que os calcários devem ter as seguintes características físicas:
    100% das partículas menores que 2,00mm (peneira ABNT – 10)
    70% das partículas menores que 0,84mm (peneira ABNT - 20)
    50% das partículas menores que 0,30mm (peneira ABNT – 50)
    Os limites mínimos para as características químicas estabelecidas são: 67% para o PN (poder de neutralização) , equivalente em carbonato de cálcio; 45% para o PRNT (poder relativo de neutralização total) e 38% para a soma de CaO mais MgO. É utilizado na correção de solos ácidos sendo empregados calcários, calcários dolomíticos e dolomitos.
     
    Rochas calcárias no Paraná
     
     
    Existem três faixas de ocorrência distintas em terrenos metamórficos, Noroeste, Central e Sudeste.
    As ocorrências da faixa Noroeste - Formação Itaiacoca - e Sudeste - Formação Capiru - são constituídas exclusivamente por dolomitos, ocorrendo pequenas lentes de calcários. Estas faixas apresentam teores de MgCO3 entre 3,6 a 4,1% e CaCO3 entre 55 a 61%.

    As ocorrências da faixa Central - Formação Votuverava - são constituídas por calcários puros e calcários dolomíticos, englobando as localidades de Bateias, norte de Rio Branco do Sul e Cerro Azul. Os teores variam entre 20,5 a 52,8% de CaO e 0,5 a 14,1% de MgO.

    Outra faixa calcária, de origem sedimentar, é a Formação Irati na Bacia do Paraná, cujo calcário dolomítico é utilizado como corretivo de solos.
     
    O Perfil da indústria no Paraná
     
    O calcário se destaca entre os recursos minerais explorados no Paraná pela importância econômica e diversidade de aplicações na indústria do cimento, cal e corretivo de solo. Responde por cerca de 50% de toda quantidade e valor da produção mineral paranaense. O Paraná é o terceiro maior produtor nacional.

    Além do mercado tradicional existem possibilidades de aumento da participação do calcário em outros segmentos da indústria - siderurgia, química, cerâmica, tintas, vidros, rações, areia artificial, brita - tornando-se fundamental reordenar a indústria produtiva para suprir novas demandas, com investimentos em pesquisa mineral, análise mercadológica e capacitação tecnológica.
    Os dados a seguir são provenientes do relatório técnico Perfil da indústria de rochas calcárias.
     
     
     
    Produção e uso de rochas calcárias por município - ano 1997
     
    Cimento
    Município
    toneladas
    Rio Branco do Sul
    4.990.990
    Campo Largo
    1.197.932 
    Almirante Tamandaré
    7.403
    Total
    6.196.225
     
    Corretivo de solo
    Município
    toneladas
    Almirante Tamandaré
    1.159.345
    Castro
    1.113.430
    Rio Branco do Sul
    798.946
    Colombo
    586.833
    Campo Largo
    208.032 
    Ponta Grossa
    21.088
    Total
    3.887.674
     
    Cal
    Município
    toneladas
    Colombo
    1.085.702
    Almirante Tamandaré
    747.553 
    Castro
    213.581
    Rio Branco do Sul
    142.581
    Campo Largo
    71.193
    Total
    2.260.590
     
     
    Estrutura produtiva da indústria - ano 1998
     
     
    Indústria cimenteira
    Indústria de corretivo de solo
    Indústria da cal
    Número de empresas
    2
    64
    60
    Produção em toneladas
    3.992.108
    3.887. 674
    1.255.776
    Capacidade instalada
    5.000.000
    9.000.000
    1.600.000
    Número de fornos
     
     
    160
     
    Destino da produção de corretivo de solo do Paraná
     
    Ano
    PR
    SC
    SP
    RS
    MT
    MS
    Outros
    Total
    1990
    1.522.879
    542.097
    285.509
    235.796
    71.232
    133.375
     
    2.790.887
    1991
    1.832.008
    432.295
    276.687
    195.650
    33.701
    184.403
     
    2.954.744
    1992
    2.073.497
    844.906
    292.117
    432.113
    190.186
    212.576
     
    3.964.395
    1993
    2.812.442
    633.904
    342.227
    526.243
    78.143
    326.182
     
    4.719.141
    1994
    3.481.415
    617.303
    371.552
    353.728
    84.452
    293.976
    94.055
    5.296.481
    1995
    1.840.307
    603.658
    341.967
    234.710
    28.904
    189.213
     
    3.238.759
    1996
    2.422.240
    454.859
    476.671
    211.985
    77.906
    271.984
    60.826
    3.976.381
    1997
    2.895.100
    610.938
    413.811
    446.844
    41.726
    381.228
    98.121
    4.887.768
    1998
    2.405.872
    460.425
    292.218
    260.135
    33.308
    299.640
    136.076
    3.887.674
     
    Estima-se que mais de 90% da produção de calcário dolomítico destinado à indústria da cal, seja utilizada na construção civil. Pequena parcela se destina à indústria química, cerâmica, tintas, rações, pedras para calçamento, brita, areia artificial e outros.

    40 a 60% da produção da cal é exportada para outras unidades da federação, com destaque para São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A exportação inclui também minério bruto (calcário dolomítico) para a produção de cal, principalmente para São Paulo.
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