O Paraná é considerado hoje o 6º maior no ranking de extração de rochas ornamentais do Brasil. Segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Rochas (Abirochas), a produção de rochas no Estado teria somado cerca de 200.000 toneladas em 2006, correspondentes a apenas 2,7% do total da produção brasileira no período.
O presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Paraná (Simagran/PR), José Georgevan Gomes de Araújo, afirma que a principal vocação do Estado na área de negócios é a marmoraria para atender a construção civil, fornecendo pias, lavatórios, pisos, fachadas, revestimentos de lareiras, entre outros produtos.
De acordo com pesquisa realizada pelo Simagran/PR e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Mármores do Paraná (Sindimármores/PR) o Estado tem hoje 405 marmorarias, sete mineradoras, 15 depósitos e quatro serrarias, sendo 98% micro e pequenas empresas e 2% de médio e grande porte. Elas geram cerca de 3.700 empregos diretos e pelo menos 7.500 indiretos no Estado.
A pesquisa dos sindicatos paranaenses aponta, ainda, que 60% dessas empresas vinculadas ao setor de rochas minerais estão instaladas em Curitiba e Região Metropolitana (fora as informais).
Segundo a geóloga e professora de Mineralogia Descritiva, Petrologia Ígnea, Petrologia Metamórfica, Rochas Ornamentais e Geologia dos cursos de Agronomia e Geografia da UFPR, Sandra Boeira Guimarães, os municípios que produzem rochas ornamentais são Tunas do Paraná (sienitos, gabros e brechas vulcânicas), Cerro Azul (Mármores, Bocaiúva do Sul (mármores e gnaisses), Campo Largo (granitos e mármores), Quatro Barras (granitos), Piraquara (granitos), Castro (riolitos), Doutor Ulysses (mármores, gnaisses e fonolitos) e São José dos Pinhais (conglomerados).
Exportações
No primeiro semestre de 2007, as exportações paranaenses de rochas ornamentais somaram US$ 8,5 milhões, correspondentes à comercialização de 8,2 mil toneladas de produtos processados, tanto acabados quanto semi-acabados. Esses números representam apenas 1,6% do faturamento e 0,7% do volume físico do total das exportações brasileiras de rochas ornamentais, no 1º semestre de 2007.
No primeiro semestre de 2006, registrou-se variação negativa de 27,7% no faturamento e de 32,2% no volume físico dessas exportações, devido à recessão do mercado imobiliário nos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras e paranaenses de rochas ornamentais, e à situação pouco atrativa do dólar em função da desvalorização da moeda.
Para Sandra Guimarães, aliada à valorização cambial da moeda brasileira, a morosidade dos órgãos governamentais ligados à mineração e meio ambiente e a barreira quase intransponível da alta carga tributária brasileira têm sido os maiores desaceleradores para as práticas de explotação de rochas ornamentais.
Perspectivas
Os produtos de rochas ornamentais exportados no Paraná e em todo o Brasil, são na forma de chapas e ladrilhos para e revestimento de pisos e paredes. No Paraná, apenas três ou quatro empresas têm capacidade de competir no mercado externo, devido à necessidade de uma produção em larga escala, uma das formas de otimização de custos de produção, que demandam uma linha de produção com equipamentos de alto valor de investimento, sem contar com outros custos inseridos em todo o processo de comércio exterior. “Estamos longe da realidade da grande maioria das empresas no Estado”, observa o presidente do Simagran/PR.
Ele avalia que o aumento da quantidade de marmorarias no Estado (405), ocorreu devido à demanda do consumo nestes últimos quatro anos. “Este crescimento se deu pela facilidade de se instalar as empresas, sejam formais ou informais, gerada pela oferta de chapas já polidas pelas serrarias, que tiveram aumento na produção através da instalação de equipamentos importados de alta produtividade, eliminando uma etapa complexa nos processos da marmoraria”, afirma.
De acordo com Araújo, a expansão pela qual passa a construção civil hoje no Brasil dá esperanças ao setor de rochas ornamentais de conquistar mais espaço na área de revestimentos, mesmo sofrendo uma pressão dos porcelanatos e granitos industrializados importados da China. “Até porque a rocha ornamental baixou de preço nos últimos 10 anos, alcançando uma camada maior de consumidores”, explica.
Para a geóloga e professora da UFPR, Sandra Guimarães, esta década será de “boom” nas rochas ornamentais no Paraná e no Brasil. “Grandes oportunidades se acumularam nas últimas décadas e aguardam investidores. O Paraná tem um número potencialmente elevado de depósitos de rochas ornamentais inexplorados, ou lavrados, ou industrializados muito primitivamente”, diz.
Segundo ela, os mineradores que não se adaptarem ao perfil da demanda dessa década “estarão definitivamente marginalizados”. A formação de joint ventures, associações ou transferência total de capital se tornarão práticas comuns.
“Os mesmos esforços concentrados de marcas e grifes durante a década de 90 terão de ser agora direcionados para o reforço da imagem institucional. As campanhas passarão a ser avaliadas também em função de sua sintonia e compromisso com as necessidades do país e demandas da comunidade. O consumo já está sendo filtrado por uma nova consciência atenta às questões que têm despertado interesse do público – ecologia, saúde e ética. O consumidor começa a perceber que uma vida melhor depende do estabelecimento de uma nova ordem, do desenvolvimento científico e tecnológico e da preservação do meio ambiente”, avalia.
Para Araújo, apesar das dificuldades, o Simagran/PR está fazendo um esforço para organizar o setor, em busca de ajustes de conduta nas questões ambientais e normas regulamentadoras de procedimentos por meio de debates com todos os órgãos que envolvem estas questões. “Mas para isto precisamos do apoio, de um diálogo mais instrutivo e menos punitivo da parte dos órgãos governamentais e reguladores, e políticas de incentivo à produção e de financiamentos dentro da realidade das micro empresas para modernização do parque fabril”, conclui.
Empresas exportadoras
No Paraná, pelo menos duas marmorarias se destacam no mercado interno e externo de rochas ornamentais: a Michelângelo Mármores e Granitos e a Água Verde, ambas com sede em Curitiba.
A Marmoraria Água Verde trabalha no ramo de mineração de granitos e produz blocos de pedreiras próprias, desdobrando os blocos em chapas de várias espessuras e produzindo ladrilhos padronizados sob medida para os mercados interno e externo. As exportações são destinadas aos Estados Unidos, principalmente, à China, Porto Rico, México, além de outros países.
A Água Verde já exportou cerca de US$ 3.500.000 ao ano, mas em 2007 as vendas no mercado internacional devem chegar em aproximadamente US$ 500 mil, devido à queda do dólar e à entrada da China no mercado, segundo a diretora industrial da empresa, Cíntia Denise Lotz.
Fundada em 1956, a Água Verde entrou no ramo de mineração em 1974 e hoje possui 47 jazidas de minérios situadas, a maioria, nos Estados do Sul do país. A empresa tem mineração de granito, dioritos, sienitos, quartzitos e todas as rochas para granito ornamental. De acordo com Cíntia, a Água Verde tem 99 funcionários e filiais que geram inúmeros empregos indiretos, principalmente em municípios pequenos do interior.
A Michelângelo explora mármores, granitos e sienitos para a produção de rochas ornamentais. Sandra Boeira Guimarães, que além de professora da UFPR é também consultora e gerente de jazidas da Michelângelo, afirma que a empresa já tem prospectado, e está em fase de pesquisa, uma linha de mármores em diversas colorações para fazer frente aos maiores produtores mundiais deste litotipo.
Há duas décadas no mercado, a Michelângelo utiliza alta tecnologia no processamento de mármores e granitos. Com jazidas próprias e produtos exclusivos exporta 70% de sua produção aos cinco continentes, sendo que o maior comprador são os Estados Unidos.
Sandra explica que as vendas aos Estados Unidos estão diminuindo em decorrência de possíveis efeitos diretos e indiretos da crise do mercado imobiliário naquele país. Neste contexto, ela destaca a desaceleração das vendas de chapas polidas aos EUA, considerando-se que elas têm como principal destino os consumidores do mercado imobiliário residencial unifamiliar daquele país; a desaceleração de vendas brasileiras de blocos de granito para a Itália e China, também grandes fornecedores de granitos brasileiros “made in Italy” e “made in China” aos Estados Unidos.
A consultora da Michelângelo aponta ainda que a crise imobiliária dos EUA deve provocar uma maior pressão de oferta pelos principais fornecedores de rochas daquele país, como a Itália, a China, a Índia, a Turquia e o Brasil) em outros mercados compradores e, inclusive, o brasileiro e ser responsável pela tendência de queda do preço médio das rochas ornamentais e seus produtos comerciais em um novo cenário mais competitivo de pressão de oferta do mercado internacional.
Outros efeitos dessa crise enumerados por Sandra são a possibilidade de contaminação do mercado imobiliário de outros países e a perspectiva de fuga dos investimentos do mercado imobiliário para outras aplicações financeiras com maior liquidez, como por exemplo, as letras do tesouro dos EUA e as próprias bolsas de valores.